Diário da queda

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Um maravilhoso alinhamento de questões primordiais, momentos decisivos, decisões é o que encontramos no livro “Diário da queda”, de Michel Laub.

Do protagonista, pessoas próximas.  Escolhas. Consequências. Reações. Vida que segue, ou não.                  

É apresentado em forma de diário, marcado por fluxos de memória e divididos em nove capítulos cujos títulos são : Algumas coisas que sei sobre meu avô, Algumas coisas que sei sobre meu pai, Algumas coisas que sei sobre mim.  

Há ainda os capítulos intermediários que são as  Notas.  Nessas Notas estão reunidas as partes excluídas, a  princípio pelo autor, mas que são reaproveitadas ajudando a elucidar na construção da história.

Um garoto de vida confortável em confronto com garoto resignado, colocado em posição de desvantagem econômica, social na escola, invisível a não ser aquele mesmo e sempre grupo de molestadores sociais.      E o rebanho. Rebanho que, apesar de não se alinhar, segue a maioria, até…o fato.  

Do fato, a tomada de consciência e a reação.   A reação é a de solidarizar com o resignado e junto, mudando o ambiente. E aí, a consequência.   O resignado em seu ambiente, não mais invisível, eleva-se. Tem amigos, vida social, mas totalmente apartado.  

Tornando verdadeira a máxima de que, quem se solidariza somos nós e não a quem solidarizamos.

Aterrorizar do modo mais vil para não ser aterrorizado e numa tentativa extrema para se agrupar, participar de festas mas como não incluído, resta beber.      E beber, torna-se um hábito. E o hábito, um vício. O distanciamento daqueles que convivemos por, às vezes, períodos longos, mas que tomam novos rumos, e, não mais vemos, mas carregamos sempre, ainda que inconscientes, marcas.

Já a família, a importância dos personagens masculinos, pai, avô.        Avô, refugiado judeu chegou ao Brasil, após ser libertado de Auschwitz, sem passado, sem estória, casa-se com moça judia de família abastada, mas deserdada e afastada de sua família. 

O avô torna-se vendedor de máquinas costura, abrindo até uma loja mas não consegue superar a experiência extrema nos campos de concentração, e, toma decisão extrema.               

O pai, reage responsabiliza-se, precocemente, amadurece. Justifica, até o momento decisivo. Podemos dizer que é uma linda estória a do pai, um final maravilhoso de amor fraternal, ou seja, estórias de vida se alinhando, acalmando a alma .

Temos várias referências ao escritor Primo Levi.

Vale a pena conferir esse título. Consulte nossas lojas online!

Diário da queda, Michel Laub I Espaço LER - Livraria (1)

Michel Laub é gaúcho, de Porto Alegre. Nasceu em 1973 e tem uma sólida carreira como escritor. Publicou, até o momento, sete romances e ganhou ou foi finalista dos principais prêmios da literatura brasileira, tais como o Jabuti ( 2007 e 2017), a Copa de Literatura Brasileira (2013), a Bienal de Brasilia (2012) e o Érico Veríssimo (2001). Foi editor-chefe da revista Bravo e é colunista de grandes jornais. 

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