Descobrindo novos mundos em cada leitura

Publicado por . Em: Espaço LER

No final do ano, resolvi ler a saga Rama, escrita por Arthur C Clarke e Gentry Lee.  Abaixo coloco um pouco das minhas percepções a cada leitura.  

É nomeado Rama porquê quando é encontrado pela nave Newton, a Terra há muito já havia sido alvo de meteoros que transformaram terrível e irremediavelmente o planeta, e, com a exploração do cosmos, já tinham descoberto tantas estrelas e planetas que já não havia deus tanto na mitologia grega quanto nórdica.

Rama é entidade da miologia indiana.

E quem me conhece sabe que sou dessas que não sossega enquanto não acha o significado psicológico e etéreo de cada nome ou escolha do título e do personagem no enredo. Pois bem, Rama é o foco central é o cenário onde tudo acontece, então temos que nos preparar para lê-lo segundo a escolha do autor.      

Pesquisando, vi que Rama simboliza sacrifício, é um modelo de fraternidade, um administrador ideal e um guerreiro incomparável. Rama é o exemplo supremo de como as pessoas devem se comportar no mundo, como um país deve ser governado, como a integridade e a moralidade dos seres humanos devem ser protegidos.        

Rama é a personificação de três atributos, ação elevada, qualidade ideal e pensamento sagrado. O Princípio de Rama é uma combinação do divino no humano e do humano no Divino.

Baseando-se nisso, toda a estória começa a ter uma áurea diferenciada e cada decisão dos personagens os deixam mais próximos de Rama.  Ela é uma nave perfeita, misteriosa, tecnologicamente avançada e estranha a tripulação,  tendo um significado diferenciado para cada membro da Newton.   

Livro 1

Ficamos abismados como a tripulação da 1ª.Newton, quando eles iniciam a descobrir esse mundo todo novo. E, para reconhecê-lo e torná-lo mais próximo, iniciam a nomear lugares com nome de cidades importantes na Terra, a principal, Nova Iorque, mas também Londres, Paris. Cada vez o mistério é maior e nesse momento, ainda não emerge a essência do conquistador, estão deslumbrados, assim como nós.    

Não há nenhum contato dos ocupantes ou idealizadores da nave, entretanto, existe só o ambiente estranho e em escala monumental. Desde o princípio é Rama quem controla as explorações, seja pela luminosidade, seja pela direção tomada.  A primeira Newton é expulsa ao verificar que a nave Rama dirige-se ao Sol.               

Livro 2

Uma nova Newton 70 anos depois, nova tripulação, outro approach e uma nova leitura.  O objetivo é explorar e não conhecer, tanto que a maioria da tripulação tem um projeto televisivo e não científico, diametralmente há o professor que sonha em conhecer o objeto de estudo de sua vida.       

Novamente, o ambiente não se deixa influenciar por eles, mas se incomoda, expulsando-os ao direcionar sua nave ao planeta Terra. A ambição desenfreada dos membros vicia o ambiente, a “esperteza” em detrimento do sentido das coisas.

Tem-se que ler Rama.

Arthur C Clarke e Gentry Lee são excepcionais em observar o cosmos e o homem em relação ao desconhecido, eles conseguem antever as crises econômicas mundiais, o ataque de 11 de setembro, além de todas as outras angústias tecnológicas atuais.

“A leitura de um bom livro é um diálogo incessante : o livro fala e a alma responde”.

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